Vitor Bielaski
Vem gente! Pra que será?
- É esporão, minha filha!
Me traz um carretel de linha
E um retalho de tecido,
Pelo andar do seu Quintino
Só a novena para curar!
E eu saía atrás dos jujos,
Dos atados, dos preparos
Que a vó mandava juntar,
Para aplicar benzedura
Que sempre oferecia a cura
A quem viesse buscar.
“Nervo rendido, osso ofendido,
Veia lacerada…”
Ela benzia com cruzadas
E costura espiritual.
Três rezas de sexta-feira
Viradas para a porteira
Completando o ritual.
“Cobreiro grande, sapo brabo!
Corto a cabeça e corto o rabo.”
Com um copo de água,
Antes do pôr do sol,
Arruda, mel com bicarbonato
E uma pitada de sal.
Encalho pesado,
Coluna estragada,
Caxumba recolhida
E qualquer mal que apareça,
Eu corto o rabo e a cabeça,
Que não cresça e nem permaneça!
Completando o ritual.
Asma e bronquite,
Gripe e sinusite
E problema da goela,
Salmoura quentinha
E travesseiro de macela
Resolvem de vez.
A cinza do borralho,
Cuspindo três vezes
Dizendo o que quer,
A cruz sobre as cinzas
E o “Gracias, vozinha,
Pela cura outra vez!”
Arruda e funcho
Levam para longe qualquer maldição,
Quebranto e mal olhado,
Maçanilha em atado
E chaleira no chão.
É a reza que nasce
Da fé e da crença,
Do amor e da bênção
Dados com o coração.
Assim eram as tardes
Quando a vó benzia
O povo que vinha pedir oração.
O sinal da cruz, pedindo a bênção
E as lindas palavras que ela dizia…
Tinham sempre o mesmo responso
Do sinal traçado com as suas mãos macias…
Que o bem permaneça
e o mal desapareça!
Em nome de Deus!
Do Espírito Santo!
E da Virgem Maria
de
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