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Jadir Oliveira

Águas benditas
Que molham silentes
A alma da gente
De tantas desditas
E seguem solitas
Curando feridas
Das almas sofridas
De dores sucintas
Que mesmo distintas
São tão parecidas.

Eterno caudal
Que quando transborda
Renova e acorda
Meu ser imortal
Bênção celestial
Que todos recebem,
Mas poucos percebem
Seu poder de cura
Que as dores depura
Daqueles que bebem.

As dores do mundo
São feitas de penas
Que as águas serenas
De um poço profundo
Lavam num segundo
Cada vez que correm
E sempre socorrem
Nossos dissabores
De males de amores
Os homens não morrem.

E quando emoções
Ficam represadas
As dores caladas
Sufocam canções
Sofridos violões
Também emudecem
Nas mágoas que crescem
Qual erva daninha
E a alma sozinha
Silente anoitece.

Se rompem represas
E a lágrima escoa
Formam-se lagoas
E a dor indefesa
Que prosperou presa
Na alma da gente
Assim de repente
Perdeu o sentido
No relógio perdido
Do tempo inclemente.

Bendita tormenta
Que lava meu ser
Me ajuda crescer
Me rega e sustenta
Água santa e benta
Vertente sagrada
Que purificada
Cura nossos medos
E ensina segredos
Ao longo da estrada.

Por isso é que choro
Se sinto vontade
Choro de saudade
Por vezes imploro
Mas não me demoro
Nas coisas pequenas
De maulas e buenas
A vida é composta
E quem não aposta
Só vive de penas.

Quem já viu um rio
Saindo da caixa
Na tromba que baixa
Ao findar o estio
Por certo já viu
Que o rio transbordar
É igual ao olhar
Quando verte o pranto
No triste quebranto
Do nosso penar.

Perdoem meu verso
Se às vezes divaga
Ascende e apaga
Enquanto converso
Pois meu universo
É este que pinto
Neste labirinto
De lágrima e dor
Que sabe o valor
Das coisas que sinto.

Por isso a tristeza
E a felicidade
Têm a mesma idade
E são indefesas
São cartas na mesa
Mostrando as feridas
Das almas sofridas
De dores sucintas
Que mesmo distintas
São tão parecidas.

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