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Leandro de Araújo

O progresso pediu passagem, 
Rastro de um novo transporte. 
Levou na mala a coragem, 
A alma e o braço forte. 
No sonho da ferrovia 
O Rio Grande assim se expandia 
Olhos voltados pra’o norte. 

Da Capital à colônia 
Passo a passo, pau e aço, 
Surgia sem cerimônia 
Cortando o tempo e o espaço 
A estrada para o futuro 
Buscando um pouso seguro 
Seja no frio ou mormaço. 

Passando o Capão das Canoas 
O verdor da natureza 
Águas e terras boas 
E um azul de tal beleza. 
Sangrando caminho do trem 
Num talho partiu também 
As terras da Baronesa. 

Fazenda Areião do Meio, 
Baronesa de Gravataí, 
Por causa do arroio cheio 
Uma ponte se fez ali. 
De trem chegou a história, 
A origem, a trajetória 
Que nos trouxe até aqui. 

O riacho Sapucaia 
Cortava o trilho no meio. 
Formando banhado e praia 
Sem passo quando bem cheio. 
Então num capão de mato 
Buscou-se o nobre artefato 
O mais forte e rijo esteio. 

Esteio de pau de lei, 
Referência dos passantes 
Por cima passou o rei, 
Vagabundos ou viajantes. 
Ganhando notoriedade 
Deu o nome então à cidade 
Partindo o hoje e o antes. 

O recanto do jacaré, 
Do quati e da capivara, 
Trouxe em sua maré 
Estrada, gente e coivara, 
Em vez dos caçadores 
Os primeiros moradores 
Em pau-a-pique e taquara. 

“No Esteio do passado 
Sustentamos o presente!” 
A raça do antepassado 
Nas veias de nossa gente, 
Formou um povo guerreiro 
Trabalhador e faceiro, 
Hospitaleiro e valente. 

Na coroa em teu brasão 
Autonomia representada 
A engrenagem é um coração 
De trabalho, terra amada, 
E a coluna marcada ao meio 
Representando o Esteio 
Sustentando a Pátria Amada. 

O Esteio do presente 
Segue o trilho do trem 
Conduzindo a sua gente 
Pelo caminho do bem. 
E abraça o mundo com gosto 
Sempre que chega o agosto 
E a Expointer se vem. 

Hoje, te vejo, Esteio, 
A capital do progresso. 
Acolhe calmo em teu seio 
Sem jamais cobrar ingresso 
E quando daqui partir 
A Deus do céu vou pedir 
Que me permita o regresso. 

Esteio do meu Rio Grande 
Do povo alegre e gentil. 
Não importa por onde ande, 
Belo torrão varonil, 
Levarei sempre comigo 
O teu abraço de amigo, 
Alicerçando o Brasil.

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Anexos
Esteio, Pelo Caminho do Progresso

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