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Luciano Salerno

“Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece para sempre.
O sol se levanta e o sol se põe, e depressa volta ao lugar de onde se levanta.
O vento sopra para o sul e vira para o norte;
Dá voltas e mais voltas, seguindo sempre o seu curso.”*

Sim, curso da Terra que abriga imagens além das retinas...
Quando a aurora extraindo a ferrugem do tempo
Me encontra aqui... Azinhavrada de saudades
E forjada para manter viva a história de monumentos.

Ao sul da rosa dos ventos, uma cantiga...
Acalanta e transpõe as frinchas deste lugar.
Retratadas em prosas, lendas e versos...
Habitam, por essas sesmarias, frondosas residências,
Que na moldura do espaço a memória viva de cada cômodo
Revela da família a autenticidade e a marca da existência.

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Com este entono, casa velha...
Acolheste qualquer retirante no teu jeito simples,
Na estrutura da edificação e aprisionando o universo...
És símbolo de ciclos como os quartos de lua.
Tua voz igual à matéria das paredes resistindo ao tempo
É alma da estirpe que formou a querência chirua.

Tuas irmãs em rústicas tábuas como gêmeas de um galpão,
De pau-a-pique ou na colônia ao estilo enxaimel.
Mas nem por isso te olvidaram...
És a expressão viva da história,
Geografia e costumes que ditam...
Para que permaneça viva sua memória.

Casa velha, conhece bem as histórias...
Estas que vão além dos livros, cenário de chegadas e partidas.
Com fogão campeiro, as panelas de barro alimentaram
Escravos, empregados ou viajantes que assistiram
Rodas de mate e assados cheios de vida e gauchismo.

Por estes e outros tantos motivos é que tenho certeza:
- O ser humano está errado sobre o conceito de sobreviver!
Pois, assim como tu, outras casas povoadas em verdades
Permanecem com o legado vivo dos avós,
Com marcas profundas da sua terra e sua gente,
És a cultura e o patrimônio que temos entre nós!

Afinal, estamos aqui!
E se cá chegamos...e se aqui seguiremos...
Devemos aqueles que fizeram de ti
Ser lume do fogo-eterno que ainda arde...
Essência da verdadeira tradição.

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No girar dos séculos...
Sou relicário fixo no - Portal de dois mundos - .
O fim de tarde emponcha imagens além das retinas...
As que na ferrugem do tempo
Mostram quem fui e o que somos:
- Guardiões de estâncias e casas...
Alma de quem um dia bateu asas.

Sim! Me encontro aqui – uma aldrava –**
Azinhavrada de saudades e forjada
Para manter viva a história de monumentos.
Sou guardiã provinciana de uma velha tapera
Resistindo ao tresloucado e ácido tempo...
E ouço na sinfonia dos ventos a voz das casas velhas!

* Eclesiastes 1:4-6

**Aldrava ou Aldraba: peça móvel de metal, em forma de argola, mão, brasão da família etc., que se prende às portas e serve para bater, chamando a atenção de quem se encontra do lado de dentro; batedor; 2- pequena
tranca metálica para fechar a porta, com dispositivo por fora para abrir e fechar; ferrolho

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Aldrava

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