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Douglas Diehl Dias

Lembrança é poeira que paira
no corredor da memória
quando um recuerdo, passando,
tropeia velhas histórias;
e as meias-luas dos cascos,
que marcam esses momentos,
deixam rastros de saudade
no barro dos sentimentos…

É fumaça que preteia
a quincha da consciência
com picumãs do fogão
de antigas reminiscências.
Assoprando suas brasas,
quando o fogo está fraquinho,
vejo áscuas de um romance
no borralho dos carinhos…

É o mate que acomodo,
na cuia do coração,
sorvido nas horas calmas
no silêncio do galpão.
Às vezes deixa na boca
amargos de nostalgia,
que se adoçam com o jujo
das folhas das alegrias…

É a voz antiga que conta,
pela boca dos avós,
causos de um mundo de outrora
que não chegou até nós.
Querendo voltar ao tempo
desses relatos incríveis,
me sinto um piá que anseia
por brinquedos impossíveis…

É a flor de tuna enfeitando
a paisagem de um caminho
que às vezes paro e contemplo
suas pétalas e espinhos,
mas quando ouso arrancá-la,
sempre redobro o cuidado;
quem nunca colheu lembranças
e acabou todo arranhado?!
É poncho de lã que aquenta
frioreiras de saudade
quando empedram-se as aguadas
do amor ou da amizade,
mas já foi pala de seda
quando, longe da querência,
enfrentei pela estrada
soalheiras de ausência…

É a obra mestra da vida!
Indelével construção…
Rancho singelo erguido
no pago do coração.
É lá que guardo momentos,
pessoas e benquerenças,
que visito quando o tempo
me impede da presença…

Lembrança… Poema escrito
no caderno da existência
que recorro, se preciso,
para o canto das vivências…
E mesmo que se extravie
ou for, ao tempo, apagado,
é verso que o coração
sabe de cor e salteado!

Viver é criar lembranças
para usá-las bem depois!
É semente que se planta,
num cercado feito a bois;
e o tempo cuida crescê-la
– maturando a sustância –
para um dia ser a fruta
contra a fome das distâncias…




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