José Mauro Ribeiro Nardes
Setenta anos de Esteio,
Com alma de chão e flor,
Que nasceu entre trilhos,
Com força de um sonhador,
Fez do barro seu alicerce
E do povo, seu valor.
Na beira do Rio dos Sinos,
Onde o mato era senhor,
Ergueu rancho e esperança,
Com madeira e com suor.
Cada tábua, um compromisso;
Cada estaca, um lutador.
O trem cortava a paisagem,
Trazendo mais que apito.
Era voz de um novo tempo,
Era um marco no infinito.
E Esteio, meio acanhado,
Já sonhava fazer bonito.
Vieram as ruas, as praças,
O mercado e a procissão.
Do poste à luz elétrica,
Cresceu passo por paixão.
E na sombra da figueira
Ainda bate um coração.
O Progresso veio calmo
Com jeito de pé no chão.
Não tirou o som do rio
Nem calou a tradição.
Só plantou mais esperança,
No terreiro da estação.
A Expointer deu seu grito
De campo e de integração.
Veio gado, veio raça,
Veio fé e comunhão.
E Esteio virou vitrine
Do labor e criação.
O parque que hoje é nobre
Já foi barro e capim.
Mas a mão que abre porteira,
Fez do campo o seu jardim.
E o Progresso, ali assentado,
Tomou mate até o fim.
As crianças nas escolas,
Com caderno e com saber.
Os avós nas esquinas,
Com histórias pra dizer.
E a cidade, entre os dois,
A ensinar e aprender.
Cada feira é memória,
Cada banca, um testemunho.
O sorriso da senhora
E o olhar do peão risonho,
Falam mais do que o jornal,
Que não cabe num rascunho.
Há futuro no quintal
E raiz no coração.
Esteio, cidade nova
Com perfume de estação.
Seu passado caminha vivo
Na trilha da inovação.
O Progresso não se esquece
De onde o tempo brotou.
Segue andando de mãos dadas,
Com tudo que se plantou.
Pois cidade que respeita
Nunca perde o que ficou.
Na praça central da vila,
Hoje pulsa a emoção.
Entre bandeiras e hinos,
Brilham passos do rincão.
E até o velho Sinos
Murmura em celebração.
No galpão da tradição,
Tem história em cada canto.
Tem avô contando causos
E guri de olhar atento.
É a memória que se acende
Feito brasa em fogo lento.
Se Esteio fosse trova,
Seria verso entoado.
Com Progresso no refrão
E saudade no passado.
Mas o verso mais bonito,
Ainda será rimado.
Setenta anos depois,
A cidade se renova.
Entre prédios e canteiros,
O futuro se comprova,
Esteio e o Progresso seguem
Como verso e sua trova.
de
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