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Cidadania e Direitos Humanos

Capir completa quatro anos marcado por superações

19/05/2026

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Créditos: Rosiele de Mello Wollmann

Quando deixou a Venezuela ao lado do marido e dos quatro filhos, Gloresis Josefina Henriquez Henriquez, 27 anos, precisou carregar mais do que malas e documentos. Levou consigo o medo do desconhecido, a saudade do país de origem e, principalmente, a esperança de oferecer um futuro melhor para seus  filhos .

Transferida de um abrigo em Roraima, na fronteira com a Venezuela, ela chegou ao Centro Permanente de Acolhimento a Refugiados e Imigrantes (Capir), em Esteio, buscando a oportunidade de recomeçar. Ao lado dela vieram os filhos Yonhayber Vidal Pena Henriquez, nove anos; Yoardys Jose Pena Henriquez, sete anos; Sioleidys Joseliannys Pena Henriquez, cinco anos; e Siolianny Elena Pena Henriquez, três anos, e o marido, José Ramon Pena Castro, 29 anos.

Segundo a venezuelana, a decisão de sair da terra natal foi motivada pelas dificuldades enfrentadas pelas crianças no acesso à educação e pela falta de perspectivas para a família. “Foi uma decisão muito difícil deixar nosso país, nossa família e tudo o que conhecíamos, mas eu precisava pensar nos meus filhos. Lá, eles não tinham acesso à educação da forma que mereciam e eu queria dar uma oportunidade melhor para eles crescerem e estudarem”, relatou.

Ela lembra da chegada ao município como um dos momentos mais marcantes da trajetória da família no Brasil. “Quando chegamos aqui, fomos recebidos com muito carinho. Eu estava com medo, insegura, sem saber como seria nossa vida em outro lugar, mas encontramos pessoas que nos acolheram de verdade. Isso fez toda a diferença para nós”, contou.
Hoje, a rotina da família começa a ganhar estabilidade. José trabalha como ajudante de eletricista em Sapucaia do Sul, enquanto os quatro filhos frequentam escolas da rede municipal de ensino de Esteio.

No Capir, onde ela mora desde fevereiro, ela diz que encontrou mais do que abrigo. “A rotina aqui é muito boa. A coordenação nos trata com respeito, carinho e amizade. Não nos sentimos sozinhos. O Capir virou um lugar suporte para nossa família enquanto reconstruímos nossa vida”, elogiou.


Quatro anos de acolhimento…
Era o dia 19 de maio de 2022, quando os primeiros 30 venezuelanos foram recepcionados no Capir, após chegar ao Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, vindo de Boa Vista-RR. Recebidos por equipes da Secretaria Municipal de Cidadania e Direitos Humanos (SMCDH) e da Associação Vivendo Atos 29, parceira da Administração Municipal no atendimento do espaço, os venezuelanos inauguraram uma nova etapa na política de acolhimento humanitário do município.

Quatro anos depois, o espaço  já acolheu 74 famílias, o que dá cerca de 300 pessoas. Atualmente, sete famílias vivem no espaço, totalizando 23 acolhidos,  sendo 11 crianças e 12 adultos. Todas as crianças e adolescentes atendidos estão matriculados e frequentando escolas da rede pública de ensino de Esteio.


… e recomeços
Igurado um mês antes, em 20 de abril de 2022, na Rua Santana, 844 - Bairro Olímpica. Criado na modalidade de casa de passagem, o espaço nasceu com o objetivo de receber refugiados e imigrantes em situação de vulnerabilidade, oferecendo suporte temporário para que as famílias possam reorganizar a vida no Brasil.

O Centro conta com dormitórios, banheiros, cozinha coletiva, setor administrativo e ambientes de convivência com espaço kids e televisão, promovendo autonomia e integração social.

Além do acolhimento, o trabalho realizado no local inclui acesso à educação, saúde, programas sociais, suporte psicológico quando necessário e encaminhamento para oportunidades de trabalho.

As famílias chegam encaminhadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). O atendimento é dividido em cinco etapas: inclusão e adaptação, acesso às garantias sociais, articulação com serviços municipais, inclusão laboral e acompanhamento até o desligamento da casa de passagem.

As famílias podem permanecer no local por até seis meses, período utilizado para reconstrução financeira e reorganização familiar.


Ações de Esteio junto às famílias migrantes
O trabalho de Esteio junto aos migrantes recebeu mais atenção e destaque após a chegada de 224 venezuelanos à cidade, em 2018, num processo de interiorização com pessoas daquele país realizado pelo Governo Federal. O município acolheu os beneficiários e os encaminhou para iniciar uma nova vida no Brasil.

As ações esteienses receberam diferentes reconhecimentos e foram base para a criação da Política Municipal de Acolhimento a Refugiados e Imigrantes de Esteio (Lei Municipal nº 7.517/2020). Entre seus objetivos, a lei busca promover a igualdade de direitos e de oportunidades a refugiados e a imigrantes, garantindo o acesso aos serviços públicos municipais como a qualquer outro morador da cidade, criar mecanismos e condições para o acolhimento, bem como estimular o engajamento comunitário na integração. O texto traz 21 diretrizes que guiam a execução do plano no Município, sob a coordenação da SMCDH.

O plano estabelece ações que visam desde os cuidados com a situação de extrema vulnerabilidade das pessoas na chegada, assegurar que elas possam participar de projetos e programas das redes municipais, inclusive de esporte, lazer e cultura, orientar sobre o acesso ao mercado de trabalho, estimular o empreendedorismo, promover aulas de português e estabelecer um canal para denúncias de violações de direitos.

A lei criou, ainda, o Comitê Executivo da Política Municipal de Acolhimento a Refugiados e Imigrantes, com a finalidade de formular, monitorar e avaliar o plano. O órgão é composto por representantes do Poder Público e da sociedade civil, como as associações representativas e organizações de apoio ao público-alvo da lei. Foi instituído, também, o Fundo Municipal de Acolhimento a Refugiados e Imigrantes, com o objetivo de facilitar a captação, o repasse e a aplicação de recursos destinados à execução desta política. O fundo buscará recursos disponíveis para a assistência a refugiados de organismos nacionais e internacionais, dos governos Estadual e Federal e, também, de contribuições feitas por pessoas físicas e jurídicas.

Espaço Mundo
Inaugurado em novembro de 2020, o Espaço Mundo é um local destinado ao atendimento, orientação e escuta a imigrantes e refugiados que vivem no Município. A sala, localizada na SMCDH, conta com estrutura para permitir que as pessoas possam, por conta própria, desenvolver atividades e projetos ou acessar a rede de serviços do Município.

Capir
O atendimento no local é dividido em cinco etapas, começando pela inclusão e adaptação, a partir do encaminhamento do Subcomitê Federal para Interiorização dos Imigrantes do Ministério da Cidadania em articulação com a gestão da SMCDH. Na sequência, é feita a promoção do acesso às seguranças sociais, como registro no Cadastro Único do Governo Federal para acesso a serviços, programas e benefícios sociais. Um terceiro momento prevê a articulação com outros setores municipais, para a inclusão em políticas de saúde, educação e trabalho, seguido por uma etapa de inclusão laboral e, por último, o acompanhamento e o desligamento da casa de passagem. A Prefeitura firmou um convênio com o Governo Federal para o custeio do espaço.

Programa Horizontes
Em janeiro deste ano, a SMCDH, em parceria com a Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento (PADF), inaugurou um espaço para o Programa Integrando Horizontes, que funciona junto ao Espaço Mundo, no subsolo da Prefeitura (Rua Eng. Hener de Souza Nunes, 150). A iniciativa tem como objetivo qualificar a integração de imigrantes e refugiados que residem em Esteio. O atendimento é realizado de segunda a sexta-feira, das 12h30min às 18h, com prestação de serviços como documentação migratória, encaminhamento para o mercado de trabalho, cursos, orientações e mediações de conflitos.

Cadastro permanente
O migrante/refugiado que não está no cadastro da SMCDH pode entrar em contato com o Espaço Mundo (Rua Eng. Hener de Souza Nunes, 150 – subsolo), de segunda a sexta-feira, das 12h30min às 18h. O atendimento também poderá ser realizado pelo WhatsApp  (51) 98600-8380.

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